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Araçuaí recebeu um encontro que reuniu atingidos por Barragens
Entre as reivindicações, está a regulamentação da política nacional de direitos das populações atingidas por Barragens
23/08/2025 07h33
Por: Csa Stúdio Web Rádio Fonte: Diário de Araçuaí
Reprodução / Diário de Araçuaí

Araçuaí recebeu um encontro que reuniu atingidos por Barragens (MAB), vindos de 13 municípios do Vale do Jequitinhonha e da Bacia do Rio Pardo. Eles se reuniram para celebrar tradições e debater os desafios enfrentados diante do avanço de projetos de grande impacto na região. Conforme foi publicado no site no dia (20/08), o evento foi realizado entre 08 e 10 deste mês.
Ao final, aprovaram uma carta aberta que recorda a longa história de violações na região, desde a exploração mineral colonial, passando pela monocultura de eucalipto e pela construção de barragens como Irapé, Itapebi e Setúbal. Projetos concebidos sem diálogo com as comunidades, que deixaram rastros de violações e pouco retorno social. O texto também denuncia os impactos do novo ciclo do lítio, propagandeado como motor de desenvolvimento, mas que, segundo os atingidos, vem acompanhado de aumento do custo de vida, agravamento da escassez de água e doenças respiratórias.
A carta situa o debate em um contexto global de crise climática e disputas geopolíticas, criticando o modelo primário-exportador que subordina territórios periféricos a interesses externos. O movimento alega retrocessos na legislação ambiental, citando o PL 2.159/2021.
Entre as reivindicações, está a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens, com participação direta dos atingidos, assessoria técnica independente, criação de órgão nacional e fundo para reparações.
Também defendem prioridade em programas sociais de saúde, moradia e acesso à água; tarifas de energia e gás justas com base em experiências de geração popular; proteção da APA Chapada do Lagoão; inclusão dos minerais críticos em um projeto nacional de industrialização e ciência.
O encontro terminou com a reafirmação dos participantes de que o Vale do Jequitinhonha e o Rio Pardo não são apenas fronteiras de exploração, mas territórios de vida, cultura e soberania, cuja riqueza deve ser compartilhada com justiça, distribuição e controle popular, priorizando as comunidades e depois os investidores.