Na última segunda-feira, 01 de setembro, uma fiscalização realizada em quatro municípios de Minas Gerais resultou no resgate de 51 trabalhadores rurais submetidos a condições consideradas análogas à escravidão. Entre as cidades fiscalizadas está Berilo, no Vale do Jequitinhonha, onde foram encontradas situações precárias de trabalho e alojamento. Ao todo, cinco adolescentes estavam entre os trabalhadores resgatados.
Segundo a fiscalização, os trabalhadores atuavam em diferentes atividades do campo, incluindo produção de carvão vegetal, colheita de batatas e extração de urucum. Nas propriedades vistoriadas, foram identificadas irregularidades como falta de acesso adequado à água potável, ausência de equipamentos de proteção, alojamentos precários, alimentos armazenados de maneira inadequada e trabalhadores sem registro formal.
As equipes também constataram condições que, segundo os responsáveis pela fiscalização, comprometiam a dignidade dos trabalhadores. Em alguns locais, especialmente nas carvoarias, os alojamentos apresentavam estrutura considerada inadequada. As fiscalizações tiveram início a partir de denúncias, que podem ser feitas pelas próprias vítimas ou por pessoas que presenciem ou suspeitem de situações de exploração.
Após o resgate, os trabalhadores terão direito às verbas trabalhistas devidas e ao seguro-desemprego especial, que prevê seis parcelas de um salário mínimo para cada vítima. Os casos também poderão ser encaminhados a órgãos como Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União. Os responsáveis pelas irregularidades deverão responder pelas medidas administrativas e legais cabíveis.