No coração do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o tempo ganha outro ritmo ao som do batuque ritmado das varas no algodão e dos versos cantados a viva voz. Na comunidade rural de Roça Grande, em Berilo, as fiandeiras Glória, Dona Conceição e Nedina transformam o trabalho artesanal em um ato de preservação cultural e afeto.
Desde o cultivo do algodão até o preparo das fibras e o manejo do fuso para transformar a matéria-prima em fios. Durante o processo, enquanto afofam e preparam o algodão sobre o leito, as mulheres entoam versos e modas tradicionais sobre namoro, vida cotidiana e sabedoria popular, transformando o trabalho duro em uma manifestação festiva e comunitária.
A iniciativa faz parte de um esforço contínuo de valorização do patrimônio imaterial da região. Além de assegurar a sobrevivência da tecelagem artesanal, o encontro das fiandeiras reafirma a identidade cultural do Vale do Jequitinhonha, onde a arte de fiar e o hábito de “jogar versos” seguem entrelaçados como parte fundamental da memória viva mineira.