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BRDE leva experiência com créditos de biodiversidade à COP17, na Armênia
Integrante da delegação da Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade, o banco leva à conferência em Yerevan, na Armênia, sua experiência com créd...
23/10/2026 13h55
Por: Csa Stúdio Web Rádio Fonte: Secom Paraná

Com um projeto-piloto que prevê até R$ 2 milhões para remunerar a conservação de reservas privadas no Paraná, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) participa da 17ª Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia. Integrante da delegação da Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade, o banco leva à conferência sua experiência com créditos de biodiversidade e discute como incorporar a natureza às decisões de investimento.

O BRDE é representado por Lisiane Astarita, gerente de Planejamento; e Viviane Linhares, gerente adjunta para Inovação e Sustentabilidade, ambas da agência paranaense, além do chefe do Departamento de Parcerias e Inovação do BRDE, Marcelo do Canto.

A COP17 avalia os avanços do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado em 2022. O acordo estabelece 23 metas para 2030, entre elas mobilizar pelo menos US$ 200 bilhões anuais para a biodiversidade. O desafio é traduzir compromissos em decisões de investimento, produção e uso dos recursos naturais.

Na quinta-feira (22), o banco acompanhou dois debates: um sobre mecanismos inovadores de financiamento à conservação, que teve o BRDE entre os parceiros, e outro sobre integridade e governança no mercado de créditos de biodiversidade. Nesta sexta-feira (23), participaram de uma discussão sobre a aplicação prática das avaliações científicas dos impactos e das dependências das empresas em relação à natureza.

A agenda de quinta-feira incluiu ainda a participação de Viviane Linhares em um painel promovido pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), da qual o BRDE é signatário dos Princípios para a Responsabilidade Bancária. Intitulado “Da conformidade à classe de ativos: como viabilizar investimentos em conservação compensatória”, o encontro reuniu representantes de instituições financeiras e desenvolvedores de projetos para discutir as condições necessárias à atração de capital privado para mercados de créditos de biodiversidade e mecanismos de compensação ambiental.

Promovido em parceria com a rede internacional C2S2, o painel abordou segurança jurídica, estabilidade regulatória, integridade ambiental e garantias de longo prazo exigidas pelos investidores. Viviane participou da discussão ao lado de representantes da gestora de seguros e investimentos AXA e da britânica Environment Bank. “A conservação precisa gerar resultados ambientais verificáveis e duradouros. Para que esses projetos atraiam investidores, é fundamental estabelecer regras claras e mecanismos que deem credibilidade aos créditos de biodiversidade”, afirma Viviane.

Neste sábado (24), Lisiane será uma das debatedoras do painel “Das métricas à estratégia: por que a biodiversidade deve se tornar uma prioridade empresarial”.

Com representantes do sistema ONU, Vale, Grupo Boticário, Petrobras e Itaipu Binacional, o encontro examinará como indicadores padronizados podem orientar metas, relatórios e decisões corporativas. Ainda no sábado, o BRDE integra um debate sobre o LIFE Key, ferramenta que conecta monitoramento, gestão e divulgação de resultados em biodiversidade.

“O desafio é fazer com que as informações sobre biodiversidade tenham peso nas decisões das empresas. Isso significa incorporar os impactos e as dependências da natureza ao planejamento, à gestão de riscos e às estratégias de investimento”, afirma Lisiane.

No domingo (25), o BRDE participa do Fórum de Negócios e Biodiversidade, em um painel dedicado à mobilização de capital. A discussão abordará como alinhar fluxos financeiros e incentivos econômicos às metas globais, combinando políticas públicas e investimentos privados para apoiar a conservação.

“Precisamos desenvolver mecanismos que deem segurança aos investidores e criem incentivos econômicos para quem conserva. É fundamental aproximar o mercado financeiro dessas iniciativas”, destaca o chefe do Departamento de Parcerias e Inovação do BRDE, Marcelo do Canto.

INICIATIVA– A atuação do banco nessa área já tem aplicação no Paraná. Em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), que também participa da COP17 , o BRDE estruturou um projeto-piloto com sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) selecionadas. A iniciativa prevê até R$ 2 milhões para aquisição de créditos de biodiversidade vinculados à conservação, mediante certificação independente.

Os compromissos foram formalizados em março, mas a compra dos créditos depende da comprovação dos resultados ambientais. O modelo busca remunerar a conservação de áreas privadas e conferir credibilidade a esse mercado emergente.

O BRDE foi o primeiro banco a integrar a Coalizão LIFE, em 2023, e obteve certificação pela metodologia da instituição em 2024. A experiência aproxima a agenda regional da discussão sobre biodiversidade na concessão de crédito, na avaliação de riscos e nas estratégias de desenvolvimento.