Geral São Paulo
Após 15 anos, Caverna Desmoronada volta a receber visitantes no Petar, no Vale do Ribeira
Reabertura é resultado de estudos científicos e trabalhos técnicos que envolveram cerca de 100 profissionais e estabeleceram um modelo de visitação...
29/10/2026 11h45
Por: Csa Stúdio Web Rádio Fonte: Secom SP

Uma das cavernas mais desafiadoras e incríveis do Parque Estadual Alto do Ribeira (Petar) volta a integrar os roteiros de visitação do Parque, 15 anos depois de receber os últimos visitantes. Com grandes salões, rios subterrâneos, desníveis e formações esculpidas ao longo de milhares de anos, a Caverna Desmoronada, em Iporanga, reabre ao público com um percurso que pode chegar a oito horas de duração.

A cavidade permaneceu fechada à visitação pública durante o período para estudos e levantamentos necessários para estabelecer as condições de uso público e conservação do ambiente subterrâneo. O trabalho permitiu avaliar características geológicas e ambientais, áreas de maior fragilidade, riscos, impactos da presença de visitantes e condições de segurança, além de definir os setores aptos à visitação e aqueles que exigem maior proteção.

Foto: Reprodução/Secom SP

A retomada é resultado desse processo científico e técnico conduzido pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil). A partir dos estudos, foram estabelecidas regras e protocolos para compatibilizar a experiência turística com a proteção de uma das cavidades mais singulares do Petar.

O novo roteiro está entre as experiências mais desafiadoras oferecidas no Petar. São aproximadamente 10 quilômetros de trilha, cerca de 900 metros de percurso subterrâneo e duração média de oito horas, considerando ida e volta. Classificada como difícil, a atividade ocorre mediante reserva antecipada e exige acompanhamento de monitor ambiental autônomo credenciado.

A retomada também amplia as opções de turismo de natureza no Vale do Ribeira e tem potencial para movimentar a economia regional, beneficiando monitores ambientais autônomos, pousadas, restaurantes, transportadores, comerciantes e outros empreendimentos ligados à cadeia do turismo.

“Foram anos de estudos na elaboração do plano de manejo espeleológico para entender melhor as características da Caverna Desmoronada e definir a melhor forma de receber os visitantes, garantindo que a visitação aconteça de maneira responsável e sem comprometer a conservação desse importante patrimônio natural”, afirma Tatiane Ashino, diretora de Planejamento e Ordenamento Territorial da Fundação Florestal.

Ciência para reabrir

Cerca de 100 profissionais participaram do trabalho multidisciplinar que permitiu estabelecer as condições para a retomada da visitação. O processo reuniu conhecimentos acumulados ao longo de décadas de pesquisas na região e novos levantamentos realizados diretamente na cavidade. Os estudos analisaram aspectos como geologia, circulação da água subterrânea, temperatura, umidade, estabilidade de blocos, fauna cavernícola, riscos biológicos e possíveis registros históricos, culturais e arqueológicos. Também foram realizados mapeamentos detalhados de galerias, salões, desníveis e áreas de maior fragilidade ambiental.

Foto: Reprodução/Secom SP

A partir dessas informações, foi elaborado o Zoneamento Ambiental Espeleológico (ZAE), que estabelece quais setores podem receber visitantes, quais necessitam de controle mais rigoroso e quais devem permanecer prioritariamente destinados à conservação. O trabalho também avaliou riscos, impactos da visitação e capacidade de uso da cavidade.

A Caverna Desmoronada integra um trabalho mais amplo de planejamento conduzido pela Fundação Florestal. A conclusão dos estudos resultou na reabertura de 30 cavernas para visitação pública, a partir da elaboração de 32 Planos de Manejo Espeleológico que abrangeram 20 cavernas do PETAR, 10 do Parque Estadual Intervales, uma do Parque Estadual do Rio Turvo e a Caverna do Diabo.

Uma caverna marcada por grandes salões e desníveis

O nome Desmoronada está relacionado à própria formação geológica da caverna. Seu interior reúne enormes blocos rochosos resultantes de antigos processos naturais de abatimento do teto, que deram origem a grandes salões, galerias irregulares, desníveis e passagens acidentadas. Ao longo de milhares de anos, a ação da água subterrânea também esculpiu corredores e ampliou galerias. Em determinados trechos, a ressurgência de um rio subterrâneo atravessa a cavidade e integra a experiência do visitante. Nas galerias superiores estão espeleotemas — formações minerais desenvolvidas ao longo de milhares de anos — como estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, escorrimentos e travertinos. Entre os pontos de destaque estão uma grande coluna central e o Pórtico do Vale das Ilusões, abertura que conecta grandes salões superiores da cavidade.

A Desmoronada oferece duas possibilidades de visitação. No circuito tradicional, a entrada e a saída ocorrem pela mesma abertura, com percurso pelos salões superiores até o Pórtico do Vale das Ilusões. Já o circuito de travessia começa pela ressurgência do rio, segue por uma caminhada ascendente entre grandes blocos e inclui uma escalaminhada interna até os salões superiores, com saída por outra entrada da cavidade.

Visitação com segurança

Por se tratar de um roteiro de alta dificuldade, a visitação segue protocolos específicos. O acompanhamento de monitor ambiental credenciado é obrigatório durante todo o percurso, assim como o uso dos equipamentos de segurança definidos para a atividade. A estruturação também incluiu a aquisição de cordas técnicas e hastes de aço inox destinadas à demarcação do caminhamento e ao isolamento de áreas ambientalmente sensíveis, contribuindo para orientar o percurso e proteger tanto os visitantes quanto o ambiente subterrâneo.

“A segurança é um dos principais critérios para a operação da visitação. O percurso foi estruturado considerando as características e os níveis de dificuldade da cavidade, com acompanhamento obrigatório de monitor ambiental credenciado e adoção de protocolos específicos para reduzir riscos e garantir a integridade dos visitantes e do ambiente subterrâneo, além da elaboração de Protocolos de Gestão de Segurança para todos os monitores credenciados a conduzir visitantes nesse atrativo”, afirma Rodrigo Aguiar, gestor da APA Quilombos do Médio Ribeira (APAQMR).

Para o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, a retomada demonstra como conservação e uso público podem avançar de forma integrada. “A abertura da Caverna Desmoronada é resultado de um trabalho cuidadoso, construído ao longo de anos pela Fundação Florestal, que envolveu pesquisa científica, estudo técnico, planejamento, monitoramento e a participação de profissionais de diferentes áreas. Nosso compromisso é garantir que o patrimônio natural seja conhecido e valorizado pela sociedade, mas sempre dentro de critérios que assegurem sua conservação”, afirma.

Como visitar

A Caverna Desmoronada, no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), em Iporanga, recebe visitantes de segunda a domingo, mediante reserva antecipada e acompanhamento obrigatório de monitor ambiental credenciado. O roteiro é classificado como difícil e tem duração aproximada de oito horas, considerando ida e volta. Informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3552-1875, e as reservas são realizadas pelo sistema oficial de ingressos da Fundação Florestal ingressosonline.fflorestal.sp.gov.br.