
Com 1,2 milhão de habitantes e apenas 18% do esgoto tratado, Guarulhos, na Grande São Paulo, era uma das responsáveis pela enorme carga de poluição lançada diretamente no rio Tietê. A desestatização da Sabesp, em 2024, deu início a um novo ciclo de investimentos que fez saltar o índice de tratamento para 48% no município, enquanto a coleta passou de 91% para 96%.
Neste período, foram investidos R$ 1,8 bilhão em obras, como a construção de novas estações de tratamento, ampliação das redes coletoras e integração de regiões que historicamente apresentavam baixa cobertura de saneamento. As ações fazem parte do projeto do Governo de São Paulo para acelerar a recuperação ambiental da bacia do Tietê, por meio do programa IntegraTietê.
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Entre as obras que se destacam como as principais responsáveis pelo salto em saneamento em Guarulhos estão a construção das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) Fortaleza e Cabuçu e a expansão da rede coletora em toda a cidade. Confira:
A entrega da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Cabuçu, em setembro de 2025, representou um dos principais avanços do saneamento em Guarulhos nos últimos anos. Localizada na região norte do município, a unidade passou a receber e tratar o esgoto coletado em bairros que historicamente enfrentavam limitações de infraestrutura sanitária.
Antes da obra, os efluentes gerados na região não recebiam tratamento adequado e eram despejados ‘in natura’ em rios e córregos. Com a entrada em operação da estação, milhares de moradores passaram a contar com um sistema mais eficiente de coleta e tratamento, reduzindo a carga de poluição lançada nos córregos que deságuam no principal rio paulista.
Entregue junto à ETE Cabuçu, a Estação de Tratamento de Esgoto Fortaleza ampliou a infraestrutura sanitária de outra importante área de Guarulhos. As duas unidades foram projetadas para atender regiões que ainda apresentavam déficits históricos no tratamento dos efluentes domésticos.
Juntas, as estações beneficiam aproximadamente 44 mil moradores e recebem o esgoto coletado de cerca de 9 mil imóveis. Além do impacto ambiental, as obras contribuem para a melhoria das condições de saúde pública.
As novas estações de tratamento vieram acompanhadas de investimentos na expansão das redes coletoras de esgoto, cerca de 89km foram ampliados nas redes da cidade .
Com as obras realizadas pela Sabesp, a cobertura da coleta de esgoto em Guarulhos passou de 91% para 96% da população. O avanço permitiu conectar milhares de imóveis ao sistema público de saneamento e reduzir o número de residências que dependiam de soluções individuais ou que ainda não estavam plenamente integradas à rede.
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A ampliação da rede também foi essencial para garantir que o esgoto produzido pelos bairros atendidos chegasse às novas estações de tratamento construídas no município. O aumento da coleta é considerado uma etapa fundamental para a despoluição do Rio Tietê, já que impede que os efluentes sejam lançados diretamente em córregos e rios antes de chegarem ao sistema de tratamento.
Os investimentos realizados em Guarulhos fazem parte do IntegraTietê, programa do Governo de São Paulo que reúne ações de saneamento, desassoreamento, recuperação ambiental e monitoramento da bacia hidrográfica do rio.
A estratégia busca atuar simultaneamente em diferentes frentes para acelerar a recuperação do Tietê. Além da ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, o programa inclui remoção de sedimentos, limpeza de cursos d’água, modernização dos sistemas de monitoramento e obras voltadas à melhoria da qualidade ambiental.
Desde o lançamento do programa, cerca de R$ 22 bilhões foram assegurados para ações de recuperação da bacia. Até janeiro deste ano, o IntegraTietê já havia retirado quase 5 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios e ampliado o acesso à coleta e ao tratamento de esgoto para mais de 3 milhões de pessoas nas áreas atendidas pela Sabesp.
O Estado de São Paulo recebeu em 2025 o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior. O crescimento foi possível após a desestatização da empresa, realizada em julho de 2024 pelo Governo de São Paulo. O principal objetivo era acelerar a universalização do saneamento básico no estado, prevista para ocorrer em 2029.
O Plano Regional de Saneamento Básico prevê investimentos de R$ 260 bilhões até 2060, dos quais R$ 70 bilhões serão aplicados até 2029 para levar água potável, tratamento e coleta de esgoto para toda a população paulista.
O Governo de São Paulo passou a acompanhar os avanços das obras da Sabesp neste trimestre por meio do Na Rota da Água. A iniciativa dá mais visibilidade às obras de segurança hídrica, reforço de abastecimento e universalização do saneamento nas cidades atendidas pela companhia.
Lançado em fevereiro deste ano, Na Rota da Água prevê uma série de entregas e visitas técnicas a mais de 1.100 frentes de obras em andamento nos municípios contemplados pelo novo contrato da Sabesp.
Entre as entregas já realizadas, estão obras de saneamento em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu. Além disso, há duas novas Estações de Tratamento de Esgoto em Caieiras e Franco da Rocha e um Sistema de Expansão de Esgotamento Sanitário que também contempla Francisco Morato, na Grande São Paulo.
As intervenções receberam R$ 168 milhões em investimentos e devem beneficiar 46,2 mil famílias, o equivalente a cerca de 127 mil pessoas, com ampliação do tratamento de esgoto e redução da poluição em rios e córregos da região.