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Café que conta história: 10 curiosidades sobre a produção paulista

Da chegada ao Estado no século XIX às diferentes características de cada região, café ajudou a impulsionar o desenvolvimento de São Paulo e mantém ...

Csa Stúdio Web Rádio
Por: Csa Stúdio Web Rádio Fonte: Secom SP
10/10/2026 às 14h04
Café que conta história: 10 curiosidades sobre a produção paulista
São Paulo mantém uma produção anual entre 4,5 milhões e 6 milhões de sacas de café. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

No dia 1º de outubro, o mundo celebrOU o Dia Internacional do Café, data reconhecida pela Organização Internacional do Café (OIC) e que, a partir de 2026, também passou a ser estabelecida por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em São Paulo, a bebida mantém uma relação histórica com o desenvolvimento econômico do estado e continua presente em diferentes regiões produtoras, com características próprias de solo, clima e altitude.

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador da APTA REGIONAL de Adamantina, Fernando Nakayama, o café chegou a São Paulo no século XIX, pelo Vale do Paraíba, e avançou em direção ao interior. A expansão acompanhou a chegada das ferrovias e contribuiu para o desenvolvimento de regiões como a Alta Paulista, a Alta Sorocabana e o Noroeste Paulista.

Para Nakayama, a diversidade da cafeicultura paulista ajuda a explicar a variedade de cafés produzidos no estado. “São Paulo é muito rico no cardápio de condições de solo e clima. Isso favorece uma diversidade de condições para o cultivo de café”, explica o pesquisador.

Confira algumas curiosidades sobre o café paulista:

1. O café ajudou a desenhar o território paulista

A expansão da cafeicultura pelo interior acompanhou a implantação das ferrovias e foi determinante para o desenvolvimento econômico de diversas regiões do Estado. Em áreas do oeste paulista, a cultura chegou a predominar durante décadas.

2. São Paulo tem diferentes “terroirs” de café

O Estado reúne condições muito distintas de solo, altitude e clima. Há regiões de baixa altitude e clima quente, como o oeste paulista; áreas de maior altitude, como a Mantiqueira e a Mogiana; e locais de clima quente e úmido, como o Vale do Ribeira. Essa diversidade cria diferentes “terroirs” e influencia diretamente as características da bebida.

3. Uma nova cultivar de café pode levar até 50 anos para ser desenvolvida

O desenvolvimento de uma nova cultivar de café exige entre 40 e 50 anos de pesquisa contínua, período muito superior ao necessário para culturas anuais, como feijão e soja. No Instituto Agronômico (IAC-APTA), o Programa de Melhoramento de Café soma 94 anos de pesquisas e já resultou na criação de 68 cultivares, sendo 66 de café arábica e dois porta-enxertos de café robusta. Esses materiais ocupam aproximadamente 90% dos plantios de café arábica no Brasil e 70% em todo o mundo.

4- Maior Banco de Germoplasma de Café do país está no Estado

O IAC também mantém o maior Banco de Germoplasma de Café do país, iniciado na década de 1930, reúne 16 espécies e cerca de 20 mil plantas, principalmente de café arábica e canephora provenientes de diferentes regiões do mundo e do Brasil. Esse acervo é essencial para o pré-melhoramento, permitindo identificar características desejadas pelo mercado e apoiar a evolução contínua da cafeicultura.

5. IAC pesquisa café naturalmente descafeinado

O Instituto Agronômico desenvolve uma cultivar de café que não produz cafeína naturalmente, a partir de uma mutação identificada na própria planta. A pesquisa segue por duas frentes: melhoramento clássico, atualmente em fase de ensaios regionais, e edição gênica, ainda em estágio inicial. A proposta é obter um café que dispense os processos industriais usados para retirar a cafeína dos grãos.

6. São Paulo também produz café robusta de qualidade

O Estado vem ampliando o cultivo de Coffea canephora, espécie que inclui os cafés conilon e robusta. De acordo com Nakayama, condições de clima quente, seco e de altitude em algumas áreas paulistas, associadas a métodos de pós-colheita, permitem a produção de canephora com pontuações superiores a 80 em avaliações sensoriais.

7. Arábica e robusta têm características diferentes na xícara

O café arábica está mais associado ao aroma e às características sensoriais da bebida, enquanto o canephora (robusta) contribui para a intensidade, os sólidos solúveis e a formação do creme do espresso. Por isso, os dois tipos podem ser combinados em diferentes proporções, formando os chamados blends.

8. São Paulo tem sete Indicações Geográficas de café

O Estado possui sete Indicações Geográficas (IGs) de café reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). As certificações consideram atributos relacionados ao território, às variedades, ao manejo e aos processos de pós-colheita, contribuindo para diferenciar os cafés produzidos em cada região.

9. Maior cafezal urbano do mundo está na capital paulista

Em meio à paisagem urbana da capital, o Instituto Biológico (IB-APTA), na Vila Mariana, mantém um cafezal de aproximadamente 10 mil metros quadrados e mais de 3 mil pés de café. O espaço é utilizado para atividades de pesquisa, educação e divulgação da cafeicultura.

10. Estado está entre os maiores produtores e consumidores do país

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Celso Vegro, São Paulo mantém uma produção anual entre 4,5 milhões e 6 milhões de sacas de café, volume próximo ao consumo estadual. O pesquisador destaca ainda que cerca de um quarto da produção nacional destinada ao mercado interno é consumida no Estado.