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Minas tem recusa familiar menor que média nacional e pode ultrapassar recorde de 2025 em número de transplantes

Ações contínuas do MG Transplantes para capacitar equipes dos hospitais contribuem para resultados positivos na doação de órgãos

Csa Stúdio Web Rádio
Por: Csa Stúdio Web Rádio Fonte: Secom Minas Gerais
14/10/2026 às 14h33
Minas tem recusa familiar menor que média nacional e pode ultrapassar recorde de 2025 em número de transplantes
Técnica de enfermagem Rosangela Firmino fala sobre a escolha de doar os órgãos de um dos filhos, vítima de um acidente de trânsito aos 19 anos: "Eu queria o Kaio em outras vidas"/Crédito: Pedro Chagas / Fhemig
Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais
Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais

“Eu sabia que o meu filho não ia partir sem deixar um legado. Tive o Kaio durante 19 anos, sei o que ele representou para mim. Sei o que é uma fila de espera. Eu imaginei o meu filho podendo salvar outras vidas. Fácil não vai ser, mas só de pensar que o seu filho vai ser luz em outras vidas, que vai levar sorrisos para outras famílias. Isso traz uma paz muito grande”.

A frase carregada de dor, empatia e solidariedade, da técnica de enfermagem Rosangela Firmino, revela o impacto do sim em um momento tão crucial para a vida de várias pessoas.

Há pouco mais de oito meses, ela decidiu pela doação dos órgãos e tecidos do filho Kaio, após a constatação de sua morte encefálica, em 2/1 deste ano, após um acidente de trânsito.

Seu consentimento reforça a tendência de queda da taxa de recusa familiar para a doação de órgãos e tecidos em Minas – que reduziu de 33,09%, em 2024, para 29,4%, em 2025. Número menor que a média nacional de 45%. Além disso, a expectativa é superar o número de transplantes realizados no ano passado. Em 2025, foram feitas 2.094 cirurgias. Neste ano, até 9/10, já foram realizadas 1.678 operações.

Segundo Rosangela, a abordagem da enfermeira - especialista em doação de órgãos e tecidos e membro da equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-Dot) do Hospital Risoleta Tolentino Neves, Priscila Xavier - foi fundamental para a sua decisão de doar e a ajudou a convencer o marido. Ela conta que o acolhimento recebido lhe trouxe paz.

“Mesmo eu sendo da área da saúde, nós nunca tivemos essa conversa sobre doação de órgãos. A importância desses profissionais é gigantesca. A hora que a Priscila chegou, para mim foi mais fácil, porque eu queria o Kaio em outras vidas. Para o meu marido, foi mais difícil. Como teve essa abordagem de uma forma humana, que soube escutar e esperar, o sim veio 100%”, conta Rosangela.


Capacitar para captar

O diretor do MG Transplantes -  órgão vinculado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) , Omar Cançado, avalia que a diminuição da recusa é multifatorial. Pode ser creditada à gradativa conscientização da sociedade e ao contínuo treinamento dos profissionais dos hospitais para comunicar situações críticas, explicar o diagnóstico de morte encefálica e solicitar a doação às famílias em um momento tão difícil.

Omar ressalta que Minas Gerais tem investido, de forma progressiva, na capacitação das equipes de saúde. De 2018 até agora (com a pandemia da covid-19, os treinamentos foram temporariamente suspensos e retomados em 2022) foram treinados quase 5 mil profissionais de hospitais públicos, privados e filantrópicos.

“O Brasil está no caminho certo. Estamos crescendo aos poucos. Depois da pandemia, temos alcançado níveis de transplantes realizados que não havíamos alcançado antes. A evolução é visível”, garante Omar.

Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais
Foto: Reprodução/Secom Minas Gerais

Comunicação

Segundo o diretor, a qualificação dos profissionais dos hospitais para atuarem desde a identificação precoce de possíveis doadores, à comunicação com as famílias, possibilita maiores taxas de sucesso para a resposta positiva à doação. 

“Precisamos aprender a falar sobre isso e aprender a comunicar. Uma vez que a gente se comunica com as famílias da maneira correta, elas se sentem mais seguras para tomarem a decisão que acham que deve ser tomada: tanto positiva quanto negativa. Quando elas entendem o diagnóstico e a situação, tendem a doar os órgãos”, explica Omar Cançado.

Outra questão essencial, que contribui para a decisão das famílias, é saber que o parente decidiu doar seus órgãos e tecidos. Por isso, é necessário que a conversa sobre esse assunto seja realizada entre familiares.

Milhares aguardam  

O MG Transplantes reforça seu apelo às famílias para ajudarem a reduzir a lista de espera pela cirurgia que irá salvar a vida de quem aguarda por um transplante de órgãos e tecidos.

Em Minas, conforme a última atualização do Ministério da Saúde, em 9/10, a lista de espera registrava 9.257 pessoas na fila para um transplante.

Desse total, 4.207 pacientes (95,1%) da lista de órgãos aguardavam um rim. Enquanto outros 110 esperavam por um fígado, 65 por pâncreas/rim, 33 por coração, seis por pâncreas e três por pulmão. A lista de córnea reunia 4.833 pessoas no início deste mês.