
A literatura alagoana ganha novas possibilidades de chegar aos leitores. A Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult) lançou, nesta quinta-feira (29), Dia Nacional do Livro, a Biblioteca Virtual Alagoana, plataforma digital que reúne obras de autores do estado e exemplares raros do acervo da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos. Com acesso gratuito, o ambiente amplia as possibilidades de leitura, pesquisa e consulta a publicações que integram a história intelectual e cultural de Alagoas.
A iniciativa aproxima leitores, estudantes, professores e pesquisadores de obras nem sempre disponíveis em livrarias ou em bibliotecas de fácil acesso. A proposta também abre espaço para que a produção literária local circule em novos ambientes, conectando autores e leitores por meio da tecnologia.
O serviço representa uma nova forma de cuidar da memória escrita do estado. Ao disponibilizar publicações em formato digital, a plataforma contribui para preservar conteúdos de valor histórico e cultural, além de ampliar as oportunidades de contato com a literatura produzida em Alagoas.
Para a secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, a iniciativa aproxima o patrimônio bibliográfico do cotidiano da população e amplia o alcance das políticas públicas de acesso à cultura e incentivo à leitura.
“A biblioteca sempre foi um lugar de encontro com histórias, ideias e conhecimentos. Agora, queremos que esse encontro também aconteça pela tela do celular ou do computador, sem que a distância seja uma barreira. A Biblioteca Virtual Alagoana permite que mais pessoas conheçam nossos escritores, descubram obras que talvez nunca tivessem encontrado e reconheçam a riqueza da produção intelectual do nosso estado. Preservar essa memória é importante, mas fazer com que ela continue sendo lida, estudada e compartilhada é o que dá sentido a esse trabalho”, afirma a secretária.
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Obras raras e alagoanas
A seção Obras Raras reúne publicações antigas, documentos históricos e livros de valor bibliográfico que ajudam a contar a história de Alagoas e do Brasil. Entre os títulos disponíveis estão Gogó da Ema, de C. A. Jucá Santos, publicado em 1952; a Constituição do Estado de Alagoas, de 1935; e História da Civilização das Alagoas, de Jayme de Altavila. O acervo inclui ainda obras de Graciliano Ramos, como Memórias do Cárcere, em edições de 1953.
A seção Obras Alagoanas reúne livros de diferentes gêneros e áreas do conhecimento, revelando a diversidade da produção intelectual e literária de Alagoas. O acervo digital contempla romances, poesias, ensaios, estudos históricos, publicações científicas e materiais educativos, com títulos como Lugares de Maceió na Memória, Juvenal e o Paraíso, O Cinema de Impacto Social em Alagoas e Contando Alagoas em Versos. A coleção também inclui obras sobre educação quilombola, ciência, políticas culturais e história local.

Uma biblioteca que ultrapassa as paredes
A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos tem papel central na preservação e na difusão do patrimônio bibliográfico alagoano. Ao longo de sua trajetória, a instituição reuniu publicações que ajudam a compreender diferentes períodos da história, da literatura e da formação cultural do estado.
Com a versão virtual, parte desse acervo passa a estar disponível para consulta sem a necessidade de deslocamento físico. A mudança amplia as possibilidades de acesso e contribui para preservar exemplares cujas edições exigem cuidados especiais de conservação.
Supervisora da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos e coordenadora do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de Alagoas, Mira Dantas avalia que a plataforma cria novas oportunidades para aproximar o acervo da população.
“Uma biblioteca pública precisa estar onde as pessoas estão. A versão virtual amplia esse alcance e permite que um estudante do interior, um professor preparando suas aulas ou alguém que simplesmente gosta de ler encontre obras da nossa literatura com mais facilidade. Também é uma maneira de apresentar ao público livros que fazem parte da história da biblioteca e que merecem continuar circulando, mesmo quando o acesso ao exemplar físico precisa ser mais restrito”, explica Mira.
A coordenadora ressalta que a iniciativa não substitui a experiência presencial, mas amplia as formas de relacionamento com o conhecimento. O acesso digital permite consultar obras a qualquer momento, enquanto a biblioteca física continua sendo um espaço de convivência, pesquisa, descoberta e formação de leitores.
“Queremos que as pessoas se apropriem dessa ferramenta, explorem o catálogo e descubram autores alagoanos. Cada livro disponível pode despertar uma curiosidade, levar a uma nova pesquisa ou aproximar alguém da nossa história. E esse trabalho também depende da participação dos próprios escritores, que podem contribuir para que a plataforma reúna cada vez mais vozes da literatura produzida em Alagoas”, acrescenta.

Tecnologia a serviço da preservação
A Biblioteca Virtual Alagoana é uma iniciativa da Secult, realizada por meio da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos em parceria com o Laboratório de Gestão Eletrônica de Documentos (Laged), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
A atuação do laboratório envolve conhecimentos técnicos e recursos tecnológicos aplicados à digitalização e à organização de documentos. O trabalho permite criar versões digitais de publicações selecionadas, ampliando as possibilidades de acesso sem exigir o manuseio constante dos exemplares originais.
Para Rosaline Mota, professora titular da Ufal e coordenadora do Laged, a parceria entre as instituições une preservação documental, pesquisa e democratização do conhecimento.
“Essa iniciativa representa um compromisso conjunto do Laged e da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos com a preservação da memória, do patrimônio bibliográfico e da história de Alagoas. Ao digitalizar essas obras, não apenas protegemos documentos de valor histórico e cultural, mas também ampliamos as possibilidades de acesso à informação, democratizamos o conhecimento e garantimos que futuras gerações possam conhecer e pesquisar esse legado”, afirma Rosaline.
A professora ressalta que a digitalização também contribui para a formação acadêmica e profissional de estudantes que têm contato com práticas de preservação e gestão de documentos. A experiência aproxima o conhecimento produzido na universidade das necessidades das instituições públicas e demonstra como a pesquisa pode gerar resultados concretos para a sociedade.
Nesse processo, tecnologia e memória caminham juntas. A digitalização ajuda a proteger o conteúdo de publicações importantes e cria novas possibilidades de consulta, pesquisa e circulação do conhecimento, sem retirar dos livros físicos seu valor histórico e material.

Escritores alagoanos podem participar
Os escritores alagoanos que possuem livros em formato digital também podem disponibilizar suas obras gratuitamente na Biblioteca Virtual Alagoana, contribuindo para ampliar o acesso à literatura produzida no estado. Para participar, basta encaminhar o arquivo digital para o e-mail bpe.alagoas@gmail.com.
A participação dos autores é uma oportunidade de ampliar a circulação da literatura local, aproximar novos leitores de diferentes estilos e trajetórias e contribuir para a formação de um espaço virtual dedicado à diversidade da produção editorial alagoana.
“A proposta é que a plataforma se torne uma porta de entrada para quem deseja conhecer mais sobre os autores do estado e um ponto de encontro entre diferentes gerações de leitores e escritores”, reforçou a secretária Mellina Freitas.